Precisamos de alguém que faça a nossa comida, e nos diga afinal como viver
Em tempos de quarentena a vida tornou-se rapidamente em um enigma. Nunca é fácil ver os outros, iguais a nós, nossa amada espécie, morrer em números ditados pelos jornais. No ato de ser sujeitados a permanecer dentro dos quadrados decorados de nossas casas, “viver” ganhou um novo significado. Um vírus, coisa pequenininha essa, mostrou que não tínhamos em momento algum o controle de qualquer coisa, mesmo que acreditássemos nisso cruzando os dedos e dando três pulinhos, acendendo velas e incensos, comprando cristais e pedras, dando nosso dinheiro pra sorte. Porque se o número de mortos aumenta nos jornais pensamos “que pena!”, “Que coisa triste!”, “mas se bem que já estava mesmo nos anos finais de sua vida”. Pensaremos isso enquanto vamos dormir e a luz apaga e ninguém está vendo. Não pensaremos? Diremos que não é claro, “que coisa mais absurda de se dizer”. Mas e o mal que há em nós? No fim não importará. Continuaremos vivos. Nessa coisa de viver. Acordaremos e viveremos dentro d...